sábado, 29 de março de 2014

FOME DE LUA E ESTRELAS

TENHO FOME DE LUA . TENHO SEDE DE ESTRELAS
Sucumbem, na noite fria, pensamentos rasgados e sentimentos surdos à fala da alma. 
Então, me pergunto: Qual é a intenção do vento que impreciso, sem juízo e estranho, entranha no essencial de meu cotidiano, na colagem de meus dias, fazendo-me transpirar ?
Qual é a intenção do vento que, com os seus movimentos, varre a lua ao espelhar, no portal de minhas emoções, o significado de minhas vertigens e de meus delírios? 
Não creio que seja uma advertência ao meu universo sem razão de dor, nem tampouco uma crueldade ...
Bem sei que os gráficos de meus segredos não são específicos e variam de acordo com a vibração sublime dos sons pulsantes da poesia não escrita, no momento sensitivo.
Tenho fome de lua. Tenho sede de estrelas. 
Não por acaso, meus olhos e pensamentos viajam seguindo suas rotas. 
Gosto da insônia de minha sensibilidade. Ela descongela as distâncias , revela-me emoções e sentimentos nunca dispersos de mim. 
A linguagem do vento me é intrigante. Sua intenção, nem se fala. Seu contexto diferenciado me confunde. 
Se em forma de brisa acaricia minha pele e torna leve a minha alma, ao varrer a lua e entranhar no abrigo de meus sentidos escondidos expõe-me nua ao me despir meticulosamente de mim mesma ...

(Rosa Berg)

quinta-feira, 27 de março de 2014




Uma vez que você tenha experimentado voar, você andará pela terra com seus olhos voltados para céu, pois lá você esteve e para lá você desejará voltar.
(Leonardo da Vinci)

domingo, 23 de março de 2014

Outonos

 
Viajei
Me descobrindo
Vendo a noite abrir as asas sobre nós

Te encontrei
E foi tão lindo
Vi estrelas desenhando girassóis

Eu não vou resistir
Vou me produzir, vamos nos perder por aí
Deixo a dor dormir
Outonos tons me convidam pra sair

Te chamei
Fui te seguindo
Pela rua dos poetas e canções

Que eu soprei
Assoviei
Fiz um fogo de acender os corações

Eu não vou mentir
Vou me soltar por aí
Dos verões vou me vestir
Nos invernos vou me aquecer em ti

Passam pássaros puxando as estações
Passam pássaros puxando as estações
(Regina Souza)

sexta-feira, 21 de março de 2014

Aquela frágil, indefesa e insegura rosa não existe mais
Criou espinhos e dobrou de tamanho
A vida que fez isso ou aquele cravo que brigou com ela?
A rosa de vidro cortante, ainda tem aquela mesma delicadeza...
Ainda sonha, ainda espera, ainda se apaixona sem fundamentos...
E se entrega e esconde seus espinhos
Porque apesar de ser de vidro, tem algo pulsando muito vivo dentro dela...
Uma esperança incansável de ser eternamente alegre...
Uma certeza de que deve deixar ás pessoas algo memorável
Uma vontade louca de ser inconsequentemente jovem...
E uma intensa e apaixonante ideia de ser inquebrável .
(Lara Bottas)

Soneto 35

Não chores mais o erro cometido; 
Na fonte, há lodo; a rosa tem espinho;
O sol no eclipse é sol obscurecido;
Na flor também o inseto faz seu ninho;

Erram todos, eu mesmo errei já tanto,
Que te sobram razões de compensar
Com essas faltas minhas tudo quanto
Não terás tu somente a resgatar;

Os sentidos traíram-te, e meu senso
De parte adversa é mais teu defensor,
Se contra mim te escuso, e me convenço

Na batalha do ódio com o amor:
Vítima e cúmplice do criminoso,
Dou-me ao ladrão amado e amoroso.
(William Shakespeare)

Vida