domingo, 27 de maio de 2012

Práticas - Chuva dourada

Chuva dourada nas duas formas principais nas quais fica diferenciado:

     
    Urofilia (ou, como fica nomeada no âmbito médico, ondinismo ou urolagnia): flutua desde a excitação mental no ver ou imaginar outra pessoa cumprindo com a sua necessidade líquida, a micturar (fazer pipi) em lugares públicos, a deixar-se urinar sob o olhar alheio ou ao longo do corpo,
Urofagia: se chama assim o ato de beber a urina do parceiro/da parceira (direitamente da extremidade dos genitais, ou com efeito chafariz, ou trazendo o líquido a partir de um copo).
     O pissing é uma prática que dificilmente provoca opiniões à metade. Ou se ama (de maneira quase incondicional) ou desperta reações de repulsão atávicas tão fortes para ser excluída a priori da vida intima. Por quê?

Chuva dourada tesão ou repulsa?

     A paixão imensurável se dá porque a urina é parte do que os genitais do parceiro/da parceira produzem, e porque é uma maneira diferente de entrar na sua intimidade, livre da “indução” da relação sexual que implica a secreção do sêmen ou do líquido vaginal. Beber a urina do parceiro/da parceira não envolve indispensávelmente preliminares, nem de forma categórica uma excitação sexual palpável no momento do ato, nem mesmo um contato físico.
    No BDSM os escravos e as escravas gostam do pissing também porque tem uma forte valência simbólica de devoção e humilhação em relação aos seus Senhores/as suas Senhoras.
    A chuva dourada repugna porque o cheiro (fedor?) da urina fica mal tolerada, porque nos ensinam desde que somos crianças que é uma coisa suja, porque o mijo fica percebido como líquido descartado e que, absolutamente, não tem que ficar readmitido no ciclo vital das pessoas. As opiniões requerem maximo respeito, nesse caso acho todavia que a conexão e o confim entre preferências pessoais e educação transmitida desde mocinhos/as ficam muito nebulosos.


Pissing na história e literatura mundial.

    A imaginação de algumas pessoas cultas foi povoada pela fantasia do pissing. Acima da citação mais óbvia, o Marquês De Sade, podemos falar de Guilherme Apollinaire no livro ”Lembranças de um jovem libertino”, publicado no começo do século XX, no qual conta com abundância quase insana de detalhes a excitação do protagonista vendo a sua irmã Elise dedicar-se as suas necessidades fisiológicas. Ou ainda mais a léndaria soprano alemã Wilhelmine Schroeder-Devrient: na sua biografia póstuma, redigida entre os anos 1868 e 1875 (ela morreu em 1860), podemos ler quanto prazer obtinha nos atos de receber e doar os fluidos corporais, tanto dos (e aos) homens que das (e as) mulheres.
     O notório Abade Guisbourg, conhecido na história pelo Affaire dos Venenos com o qual queria enganar o rei da França Luiz XIV em favor damarquesa Montespan, considerava a urina da mulher um excelente filtro de amor, como o sangue menstrual. Passando desde as medicinas alternativas a tradicional moderna, o psicologista e sexólogo britânico Henry Havelock Ellis, não suficientemente indulgente contra a homossexualidade masculina,  se casou e formou um relacionamento aberto com a escritora lésbica  Edith Lees, a qual (e as quais parceiras) se entregava com vontade, também nos seus úmidos deleites.
Pissing, uma experiência pessoal
   
     Duas pequenas observações pessoais, antes de acabar o artigo: no pissing, o banho de urina se chama também ”chuva dourada”. Para mim, tendo muita razão. Sobretudo quando uma copiosa urinada é consequência da penetração – melhor se com um dildo ou os dedos, para ter o maior controle possível sobre a duração do ato – da vagina (ainda melhor se acompanhada pela estimulação da clitóris), ou da reiterada masturbação do pênis. Naquele caso a doação da urina fica tão  lisonjeira, que o líquido parece sempre cristalino e suculento, também nas ocasões nas quais cheira mal e tem um colorido estranho.

(Fonte:http://www.avidasecreta.com/pissing-ou-chuva-dourada-conhece-este-fetiche/)

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